Transporte coletivo começa a ser retomado em Sete Lagoas após acordo entre Prefeitura e trabalhadores da Turi

Terça-feira, 16 de junho de 2026. 11:31

Transporte coletivo começa a ser retomado em Sete Lagoas após acordo entre Prefeitura e trabalhadores da Turi

Após uma semana de paralisação que afetou milhares de usuários, o transporte coletivo de Sete Lagoas começou a ser retomado gradativamente a partir das 12h desta terça-feira (16). O retorno foi viabilizado após um acordo firmado entre a Prefeitura, a equipe de intervenção municipal e os trabalhadores da Turi, concessionária responsável pelo serviço na cidade.

A decisão foi aprovada pelos funcionários durante assembleia realizada na noite de segunda-feira (15), encerrando um dos momentos mais críticos já enfrentados pelo sistema de transporte público municipal. A greve havia sido motivada por atrasos salariais e incertezas sobre a situação financeira da empresa.

Prefeitura assume gestão direta do sistema

Pelo acordo firmado, a operação continuará sob intervenção do Município, que passa a exercer controle direto sobre a administração do transporte coletivo durante o período emergencial. Além da gestão operacional, a Prefeitura assumirá a responsabilidade pelos pagamentos dos trabalhadores, medida considerada fundamental para garantir a retomada das atividades.

O prefeito Douglas Melo afirmou que a prioridade da administração é assegurar a continuidade do serviço e proteger os direitos dos trabalhadores.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Sete Lagoas (SINTTROSET), a proposta recebeu apoio da maioria dos funcionários justamente por oferecer mais segurança e estabilidade durante o período de intervenção.

"O fato de a gestão ficar sob responsabilidade da Prefeitura trouxe mais confiança aos profissionais e permitiu a aprovação do retorno das atividades", destacou o presidente do sindicato, Mário Geraldo Alves de Paula.

Contratação da Transcol é cancelada

A retomada dos ônibus ocorre após uma mudança significativa nos planos anunciados pela Prefeitura nos últimos dias.

Na semana passada, o Município havia decretado situação de emergência no transporte coletivo e anunciado a contratação emergencial da empresa Transcol, de Caeté, para assumir temporariamente a operação por seis meses. A medida foi adotada diante da paralisação da frota e da crise financeira enfrentada pela Turi.

No entanto, após avaliações técnicas e negociações com os trabalhadores, a Prefeitura optou por cancelar a entrada da nova operadora e utilizar a estrutura já existente da própria Turi para restabelecer o serviço.

Com isso, permanecem em operação os veículos, garagens, oficinas e equipes da concessionária, mas sob gestão direta do Município.

Crise se arrasta há semanas

A atual crise do transporte coletivo é resultado de uma série de problemas que vêm se acumulando ao longo dos últimos meses.

Ainda em maio, a Prefeitura decretou uma intervenção administrativa inédita na Turi, alegando falhas operacionais, paralisações recorrentes e necessidade de maior controle sobre a arrecadação do sistema. Posteriormente, o Município ampliou a intervenção e assumiu o controle operacional e financeiro da concessionária.

Por sua vez, a Turi atribui a crise a um desequilíbrio econômico-financeiro acumulado ao longo dos anos, agravado pela queda no número de passageiros, aumento dos custos operacionais e reflexos da pandemia da Covid-19. A empresa também informou ter alertado órgãos de controle sobre o risco de colapso do sistema meses antes da paralisação.

Normalização será gradual

A Prefeitura informou que a retomada ocorrerá de forma gradual ao longo dos próximos dias. A expectativa é que as linhas sejam restabelecidas progressivamente, conforme a reorganização da frota, escalas de motoristas e demais equipes operacionais.

A coordenação dos trabalhos continua sob responsabilidade do interventor Charles Generoso Baracho, secretário municipal adjunto de Administração, que permanecerá à frente das ações emergenciais no sistema.

Enquanto isso, a administração municipal afirma que seguirá adotando medidas administrativas e judiciais para garantir a continuidade do transporte coletivo e buscar uma solução definitiva para o setor.

Para os usuários, a expectativa é de que a retomada dos ônibus reduza os transtornos enfrentados desde o início da greve, quando milhares de passageiros ficaram dependentes apenas das linhas operadas pela Cooperseltta e de meios alternativos de transporte.