El Niño é confirmado e pode se tornar um dos mais intensos das últimas décadas

Segunda-feira, 15 de junho de 2026. 11:41

El Niño é confirmado e pode se tornar um dos mais intensos das últimas décadas

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente o início do fenômeno El Niño, que já apresenta sinais de fortalecimento e pode atingir níveis considerados muito intensos nos próximos meses.

Segundo as projeções da agência norte-americana, existe 63% de probabilidade de o fenômeno evoluir para um "Super El Niño" entre novembro deste ano e janeiro de 2027, cenário que pode provocar mudanças significativas nos padrões climáticos em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil.

O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial registram temperaturas acima da média por um período prolongado. Atualmente, o aquecimento já alcança cerca de 0,7°C acima dos níveis normais, índice suficiente para caracterizar oficialmente o fenômeno.

Caso a elevação da temperatura ultrapasse 2°C, o evento passará a ser classificado como um "Super El Niño", categoria reservada aos episódios mais fortes já registrados. De acordo com a NOAA, o fenômeno atual tem potencial para figurar entre os mais intensos desde o início dos registros modernos, em 1950.

Impactos podem variar entre as regiões do Brasil

Especialistas alertam que os efeitos do El Niño não são uniformes e costumam afetar cada região do país de maneira diferente.

No Sul do Brasil, a expectativa é de aumento significativo das chuvas. Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná podem enfrentar períodos prolongados de precipitação, elevando os riscos de enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra.

Já no Nordeste e em parte da Região Norte, especialmente em áreas da Amazônia, o fenômeno tende a reduzir o volume de chuvas. Esse cenário pode favorecer períodos de estiagem, afetando reservatórios, a produção agrícola e o abastecimento de água.

No Sudeste e no Centro-Oeste, a previsão é de temperaturas acima da média histórica. O aquecimento do Pacífico pode favorecer ondas de calor mais frequentes, além de contribuir para a ocorrência de eventos climáticos severos, como tempestades isoladas e rajadas de vento.

Agricultura também pode sentir os efeitos

O setor agropecuário é um dos mais atentos à evolução do fenômeno. Enquanto o excesso de chuvas preocupa produtores da Região Sul durante o período de plantio das safras de primavera e verão, o calor e a redução das chuvas em outras áreas da América do Sul podem prejudicar culturas como milho, soja e trigo.

Os impactos variam de acordo com a intensidade do fenômeno e com as características climáticas de cada região produtora.

Intensidade ainda não está definida

Apesar das projeções indicarem um cenário de fortalecimento, especialistas ressaltam que ainda é cedo para determinar com precisão a intensidade final do El Niño.

Meteorologistas explicam que cada evento possui características próprias e que outros fatores climáticos, como as condições dos oceanos Atlântico Sul e Atlântico Norte, também influenciam diretamente os efeitos observados no Brasil.

Por isso, o termo "Super El Niño" não significa automaticamente que todas as regiões enfrentarão consequências extremas, já que os impactos dependem de uma combinação de fatores atmosféricos e oceânicos.

Autoridades reforçam monitoramento

Diante da possibilidade de um fenômeno mais intenso, governos e órgãos de defesa civil já iniciaram ações preventivas.

O Governo de São Paulo anunciou um plano especial para combate a incêndios florestais, incluindo monitoramento por satélite, uso de inteligência artificial para análise de dados e integração de sistemas de alerta.

O plano envolve mais de 600 municípios paulistas e prevê investimentos em equipamentos, veículos e reforço das equipes de emergência.

Em nível nacional, a Defesa Civil informou que acompanha diariamente a evolução das condições climáticas em conjunto com estados e instituições meteorológicas. O objetivo é antecipar possíveis riscos e permitir a adoção de medidas preventivas diante de eventos extremos.

Com a confirmação do El Niño, especialistas recomendam atenção às próximas atualizações meteorológicas, já que a evolução do fenômeno será determinante para o comportamento do clima no Brasil nos próximos meses.