Crise no transporte coletivo de Sete Lagoas se agrava após retomada da greve e expõe impasse entre TURI, trabalhadores e Prefeitura
Sexta -feira, 12 de junho de 2026
A crise do transporte coletivo de Sete Lagoas voltou a ganhar força nas últimas semanas e tem impactado diretamente milhares de usuários que dependem diariamente dos ônibus para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais.
O atual cenário é resultado de um impasse que se arrasta há meses entre a concessionária TURI, os trabalhadores do setor e o poder público municipal.
Como a crise evoluiu
A origem do problema remonta às negociações salariais entre a TURI e os rodoviários. Em abril deste ano, os trabalhadores aprovaram estado de greve após divergências nas negociações trabalhistas, principalmente relacionadas ao reajuste salarial e benefícios da categoria.
Dias depois, a categoria iniciou uma paralisação que afetou significativamente o transporte coletivo da cidade. O movimento levou a Prefeitura de Sete Lagoas a adotar medidas emergenciais para tentar evitar o colapso do sistema e garantir a circulação mínima de ônibus.
Suspensão temporária da greve
Após negociações mediadas pela Justiça do Trabalho, os rodoviários decidiram suspender a greve por 30 dias, abrindo uma nova oportunidade para que empresa, sindicato e Prefeitura chegassem a um acordo definitivo. Durante esse período, os ônibus voltaram a circular normalmente e a expectativa era de que as negociações avançassem.
Entretanto, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Sete Lagoas e Região (SINTTROSET), não houve evolução suficiente nas tratativas ao longo do prazo estabelecido.
Prefeitura decreta intervenção
Paralelamente às negociações trabalhistas, a Prefeitura de Sete Lagoas anunciou uma intervenção administrativa relacionada ao sistema de compensação tarifária e bilhetagem eletrônica do transporte coletivo. A administração municipal justificou a medida alegando a necessidade de garantir transparência e continuidade dos serviços diante das dificuldades enfrentadas pelo setor.
A decisão elevou ainda mais a tensão entre os envolvidos e ampliou o debate sobre a sustentabilidade financeira do sistema de transporte da cidade.
Retomada da greve em junho
Sem acordo ao final do prazo de suspensão, os rodoviários confirmaram a retomada da greve a partir do dia 9 de junho. Por determinação judicial, a paralisação ocorreu de forma parcial, mantendo parte da frota em circulação para atender a população.
Mesmo assim, usuários passaram a relatar atrasos, redução da oferta de veículos e dificuldades para se deslocar por diferentes regiões da cidade.
Ampliação da paralisação
Com a continuidade do impasse, a mobilização dos trabalhadores foi ampliada. Informações divulgadas nesta semana apontam que o movimento grevista ganhou força após questionamentos relacionados ao pagamento de salários e à falta de acordo nas negociações trabalhistas.
A situação provocou novos transtornos para a população e aumentou a pressão sobre a empresa e o poder público para a construção de uma solução definitiva.
A versão da TURI
Em nota divulgada nesta semana, a TURI afirmou que a crise atual não é resultado apenas das negociações trabalhistas, mas de um desequilíbrio econômico-financeiro acumulado ao longo dos anos.
Segundo a concessionária, fatores como o aumento dos custos operacionais, a redução no número de passageiros após a pandemia e a ausência de mecanismos permanentes de compensação financeira contribuíram para o agravamento da situação.
A empresa informou ainda que, em abril deste ano, protocolou uma representação junto ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais alertando para o risco de colapso do sistema caso medidas estruturais não fossem adotadas. A concessionária também afirmou que tentou dialogar com a Prefeitura e destacou que continua operando dezenas de linhas e cerca de 90 veículos, mesmo diante das dificuldades financeiras.
O que pode acontecer agora
Até o momento, não há definição sobre quando o impasse será resolvido. Sindicato, empresa e Prefeitura seguem sob pressão para encontrar uma solução que garanta a continuidade do serviço e preserve os direitos dos trabalhadores.
Enquanto isso, milhares de usuários continuam acompanhando diariamente os desdobramentos de uma crise que já se tornou uma das maiores discussões sobre mobilidade urbana em Sete Lagoas nos últimos anos.
A expectativa é que novas reuniões e possíveis mediações judiciais ocorram nos próximos dias para tentar restabelecer a normalidade do transporte coletivo no município.













