Junho registra maior volume de chuva em Sete Lagoas na última década

Terça-feira, 16 de junho de 2026. 14:31

Junho registra maior volume de chuva em Sete Lagoas na última década

Mesmo sendo tradicionalmente um dos meses mais secos do ano, junho de 2026 tem apresentado um comportamento climático atípico em Sete Lagoas. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que o município já acumulou 16,2 milímetros de chuva até o dia 16 de junho, o maior volume registrado para o mês nos últimos dez anos.

O índice já supera a média histórica de junho, que é de 11,6 milímetros, e chama a atenção de meteorologistas devido à ocorrência de precipitações em um período normalmente marcado por tempo seco e baixa umidade.

Volume supera registros dos últimos anos

Levantamento do Inmet mostra que o acumulado deste ano está bem acima dos volumes observados em junho nos anos anteriores:

  • 2026 (até 16/06): 16,2 mm
  • 2025: 0,6 mm
  • 2024: 2,0 mm
  • 2023: 5,6 mm
  • 2022: 1,4 mm
  • 2021: 2,2 mm
  • 2020: 0,0 mm
  • 2019: 0,8 mm
  • 2018: 0,2 mm
  • 2017: 9,6 mm

O cenário reforça o caráter incomum das chuvas registradas neste mês, principalmente considerando que junho é o segundo período mais seco do calendário climático local, ficando atrás apenas de agosto.

Fenômeno chama atenção dos especialistas

De acordo com o meteorologista Lucas Soares, embora o volume registrado esteja apenas um pouco acima da média climatológica, o que realmente surpreende é a frequência das chuvas nesta época do ano.

Segundo ele, eventos de precipitação em junho são raros na região central do Brasil e têm sido observados também em outras áreas de Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Triângulo Mineiro.

“O destaque não é apenas o volume acumulado, mas a ocorrência de chuvas em um período em que normalmente predominam massas de ar seco e ausência de sistemas capazes de gerar precipitações significativas”, explica.

El Niño pode estar influenciando o comportamento do clima

Especialistas apontam que as primeiras mudanças observadas podem estar relacionadas ao retorno do El Niño, fenômeno climático oficialmente confirmado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) no último dia 11 de junho.

O El Niño ocorre devido ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e costuma provocar alterações nos padrões climáticos em diversas regiões do planeta.

Segundo Lucas Soares, o fortalecimento de sistemas de baixa pressão e cavados atmosféricos tem favorecido a formação de áreas de instabilidade que conseguem avançar até Minas Gerais.

“Há uma maior disponibilidade de energia na atmosfera, o que facilita a formação desses sistemas meteorológicos. Eles têm se desenvolvido entre Paraguai, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, alcançando posteriormente o território mineiro”, afirma.

Tendência para os próximos meses

A expectativa é que os efeitos do El Niño se intensifiquem gradualmente ao longo do segundo semestre. Especialistas alertam que novos episódios de chuva fora do padrão podem ocorrer entre agosto e setembro.

Além disso, o fenômeno pode favorecer uma combinação de eventos climáticos extremos, incluindo períodos de calor intenso, irregularidade nas chuvas, tempestades isoladas e intervalos prolongados de tempo seco.

Embora ainda seja cedo para prever todos os impactos do fenômeno em Minas Gerais, os meteorologistas acompanham com atenção a evolução do El Niño, que poderá influenciar diretamente o comportamento do clima nos próximos meses.