Possível tarifa dos EUA preocupa setor de ferro-gusa e pode impactar usinas de Sete Lagoas
Quinta-feira, 26 de junho de 2026. 14:39
Uma proposta do governo dos Estados Unidos para aumentar a taxação sobre a importação de ferro-gusa brasileiro tem gerado preocupação no setor siderúrgico nacional. Segundo o Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG), a medida poderá comprometer significativamente a competitividade do produto brasileiro no mercado norte-americano, principal destino das exportações do segmento.
De acordo com a entidade, a nova política comercial prevê uma tarifa inicial de 25%, que poderá ser acrescida de uma segunda cobrança de 12,5%, elevando a taxação total para até 37,5%. O tema será discutido em audiências públicas marcadas para o dia 6 de julho, nos Estados Unidos, com uma decisão final prevista para o dia 15.
Diante da possibilidade de prejuízos ao setor, o Sindifer-MG anunciou a contratação de um escritório de advocacia especializado nos Estados Unidos. Representantes da entidade participarão das discussões para defender a manutenção da competitividade do ferro-gusa brasileiro e buscar uma exceção à aplicação das tarifas.
Sete Lagoas no centro das preocupações
O impacto potencial da medida é especialmente relevante para Minas Gerais, responsável por cerca de 70% da produção nacional de ferro-gusa. O estado abriga 48 usinas e 63 altos-fornos, com capacidade para produzir aproximadamente 420 mil toneladas por mês.
Nesse cenário, Sete Lagoas ocupa posição estratégica. O município concentra 21 unidades produtoras e é considerado o principal polo de ferro-gusa do país. Somente no último ano, mais de 1 milhão de toneladas do produto foram exportadas a partir da cidade.
O ferro-gusa é uma matéria-prima fundamental para a fabricação de aço e ferro fundido, e os Estados Unidos figuram como o principal comprador internacional do produto brasileiro. Em 2025, o Brasil produziu 5,4 milhões de toneladas, sendo que cerca de 75% desse volume foi exportado. Desse total, mais de 80% tiveram como destino o mercado norte-americano.
A dependência do setor em relação aos Estados Unidos também se manteve em 2026. Nos cinco primeiros meses do ano, aproximadamente 80% das exportações brasileiras de ferro-gusa foram direcionadas ao país.
Empregos e investimentos em risco
Segundo estimativas do Sindifer-MG, a adoção das novas tarifas poderá provocar a paralisação de mais da metade das usinas brasileiras de ferro-gusa, colocando em risco cerca de 60 mil empregos diretos e indiretos em Minas Gerais.
O presidente da entidade, Fausto Varela, alerta que os reflexos podem atingir não apenas a indústria, mas toda a economia regional.
“Os impactos vão além das empresas produtoras e podem afetar empregos, investimentos, arrecadação e a geração de divisas para o país”, afirmou.
Caso a medida seja confirmada e não haja êxito nas negociações em andamento, o setor teme uma perda significativa de competitividade no mercado internacional, com reflexos diretos na produção, no emprego e no desempenho econômico das regiões que dependem da atividade siderúrgica, como Sete Lagoas.













