Dezembro Vermelho: diagnósticos tardios de HIV têm 6 vezes mais chances de óbito
Sexta-feira, 01 de Dezembro de 2023
Um estudo brasileiro mostrou que a chance de morte em pacientes com HIV diagnosticados tardiamente chega a ser 6,17 vezes maior que a de pessoas que descobriram o vírus em estágios iniciais. A pesquisa traz dados do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (HCFMRP-USP), de 2015 a 2019, e foi publicada pelo The Brazilian Journal of Infectious Diseases, em outubro. Dados ganham ainda mais atenção no no Dezembro Vermelho, mês de conscientização para a importância da prevenção contra o vírus HIV/aids e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
O material também aponta que casos originários de atendimento em enfermaria (quando já há uma doença oportunista ou crônica instalada) tiveram 87,73% mais ocorrências de morte do que os atendidos fora de uma situação emergencial. Até setembro de 2022, de acordo com dados do último Relatório de Monitoramento Clínico do Ministério da Saúde, a média de descobertas tardias foi de 29%, chegando a 45% na faixa etária acima dos 50 anos.
As proporções de apresentação tardia de diagnóstico para doença foram de 13% entre indivíduos de 2 a 11 anos de idade, 9% para a faixa etária de 12 a 17 anos, 13% entre aqueles com 18 a 24 anos de idade e 21% de 25 a 29 anos. Dos 30 aos 49 anos, a descoberta em estágio avançado representaram 35% dos diagnósticos, chegando a 45% para a faixa etária de 50 anos ou mais.
Os diagnósticos tardios e muito tardios no Brasil podem dificultar o alcance das metas da Organização Mundial de Saúde (OMS), que até 2030 pretende erradicar a transmissão da síndrome globalmente. Bernardo Porto Maia, médico infectologista e supervisor médico do Pronto Socorro do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, entidade que promove evento gratuito sobre o tema neste dia 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids, para profissionais de saúde, vê o cenário brasileiro com preocupação.
Isso porque, apesar da chegada em 2023 de novos preventivos (capazes de evitar a infecção pelo vírus por até 2 meses) e novas medicações que garantem um tratamento mais simples e com menos efeitos colaterais, o país ainda vê um crescimento nas novas infecções e existência de mortes pela doença --foram 13 mil perdas em 2022.
Fonte: O tempo













