Venvanse: como age e quais os riscos do remédio que levou a mulher de Paulo Vilhena ao vício

Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2023

Venvanse: como age e quais os riscos do remédio que levou a mulher de Paulo Vilhena ao vício

O remédio Venvanse, que levou a modelo Maria Luiza Silveira, mulher do ator Paulo Vilhena, ao vício oferece sérios riscos à saúde, como problemas neurológicos e cardíacos, se não for tomado conforme a prescrição médica.

Indicado para tratar transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e compulsão alimentar, é usado muitas vezes como um estimulante por quem quer ter mais disposição e energia - mesmo por quem não tem esse diagnóstico.

Foi o caso da modelo, que fez o desabafo no podcast "Take Your Shoes Off" sobre o vício. Na entrevista, ela conta que foram seis anos de dependência, dos 20 aos 26 anos de idade.

"Eu falava com muito orgulho [que tomava]. É a melhor coisa do mundo. Eu amava. É bom, mas tem um preço. E o preço é alto demais", disse. "Se eu não tivesse parado, acho que teria morrido. Estava tomando uma dose que acelerava e desacelerava o coração. Eu ia ter uma parada cardíaca", contou.

Tudo começou quando ela teve que conciliar a faculdade de direito com o estágio. "Eu me vi numa situação em que precisava de alguma coisa para dar disposição. É uma pílula que você fica com disposição fora do normal. É mágica, mas tem seu preço".

Luli, como ela gosta de ser chamada, disse que o medicamento a transformava em "mulher-maravilha, muito mais sociável, mais humana, quase com superpoderes".

???? E o Venvanse (lisdexamfetamina) tem realmente esse "poder". O medicamento, derivado da anfetamina, é um estimulante do sistema nervoso central e psicoestimulante.

"A molécula aumenta muito a dopamina, que é um neurotransmissor ligado ao bem-estar e recompensa. Ela atua diretamente na sensação de recompensa, trazendo bastante vigor, disposição e energia", explica a psiquiatra Anny de Mattos Barroso Maciel, especialista em transtornos alimentares pela USP e terapeuta interpessoal pela Unifesp.

Referência em neurociência, neuropsicologia e em terapia cognitivo-comportamental, a psiquiatra Nina Ferreira ressalta que a lisdexamfetamina faz com que aumente a disponibilidade dos neurotransmissores noradrenalina e dopamina no cérebro.

É como se fosse um super funcionamento do cérebro. No entanto, esses neurotransmissores em excesso são bem danosos para o cérebro e para o corpo como um todo.

— Nina Ferreira, psiquiatra

Fonte: G1