Tecnologia do exoesqueleto chega ao Brasil; aposentada, cadeirante há 16 anos, é a primeira a testar equipamento

Segunda-Feira, 18 de Dezembro de 2023

Tecnologia do exoesqueleto chega ao Brasil; aposentada, cadeirante há 16 anos, é a primeira a testar equipamento

Pacientes com dificuldades de mobilidade passaram a contar desde essa semana com uma alternativa na Rede Lucy Montoro, em São Paulo. Um estudo com quatro exoesqueletos teve início para acompanhar o desenvolvimento de 30 pacientes, como Cleuza Rodrigues, escolhida a primeira a testar o equipamento.

Lavar louça, cozinhar, cuidar das plantas. Essas tarefas rotineiras não eram nada simples para Cleuza. Há 16 anos, ela se tornou cadeirante por conta de uma doença e precisou mudar tudo tanto sua casa quanto na sua vida.

"Minha casa não era adaptada, nada adaptada. Não tinha rampa. A pia era com gabinete, banheiro não tinha como eu entrar. Então, teve que quebrar a parede, abrir porta para fazer o banheiro... Nessa parte foi difícil", disse.

A limitação de mobilidade ocorreu depois de ela ser internada com uma crise de lúpus, doença inflamatória autoimune que atava diversos órgãos - e em casos graves, pode ser fatal.

Cleuza ficou em coma cinco dias em um hospital de São Paulo. Quando recuperou a consciência, ela estava sem visão, sem fala e tetraplégica. Visão e fala voltaram ao normal, mas os movimentos, não.

Há cinco meses, tudo mudou. Foi quando o Fantástico viajou até Nova York, nos Estados Unidos, para testar um exoesqueleto que ajuda pessoas com limitações motoras a recuperar a mobilidade. Cleuza assistiu a reportagem, que alimentou o sonho de voltar a andar.

"Parece que eu calcei um salto, uma bolsa. Estou andando", disse Cleuza. "Me emociona muito saber que Deus dá sabedoria para o homem fazer E fez esse robô", comemorou.

Já estão no Brasil um modelo francês e um coreano. Dois modelos chineses vão chegar em breve. O médico André Sugawara está atuando no estudo. Segundo ele, o exoesqueleto não será uma cura, mas é um avanço tecnológico considerável.

"Quando comecei a vida como fisiatra, eu sentia a certeza que isso ia chegar em algum momento, mas eu achei que talvez não fosse na minha geração, talvez eu já não tivesse mais nem vivo", disse.

Fonte: G1