Samu pode suspender atendimentos em quase todas as cidades de Minas por falta de recursos

Samu pode suspender atendimentos em quase todas as cidades de Minas por falta de recursos

Queda nos repasses federais
O financiamento do Samu é feito de forma compartilhada entre os governos federal, estadual e municipal. O Ministério da Saúde tem a responsabilidade de cobrir metade do custo total, mas os consórcios denunciam que os repasses atuais variam entre apenas 8% e 40% do valor acordado.

Por exemplo, o consórcio CISNORJE (Macro Nordeste e Jequitinhonha) afirma ter recebido, em média, R$ 1,5 milhão por mês — equivalente a 40,21% do necessário. Já o consórcio CONSURGE (Leste de Minas) relatou repasses mensais de apenas R$ 371 mil, o que representa 8,3%.

A presidente do Sindsaúde-MG, Núbia Dias, explicou que, há alguns anos, a contribuição federal era de 75%, mas foi sendo reduzida até chegar aos atuais 50%. “O Samu precisa estar habilitado pelo Ministério da Saúde, e sem a participação da União, o serviço fica comprometido”, alertou.

Condições precárias de trabalho
Núbia também criticou os baixos salários e a sobrecarga enfrentada pelas equipes, especialmente nas cidades do interior. Ela afirma que essas condições desestimulam novos profissionais a ingressarem no serviço. “O salário não reflete a complexidade e a responsabilidade da função. Isso tem deixado o Samu à beira do colapso, com bases operacionais desequilibradas financeiramente”, disse.

Ministério da Saúde rebate e promete apurar
Durante visita a Minas no último dia 16 de junho, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi questionado sobre os cortes. Ele prometeu apurar o caso, mas negou que haja um valor mínimo obrigatório para o financiamento do Samu.

“Não existe piso constitucional para o Samu. Quando fui ministro em 2012 e 2013, houve reajuste. Depois disso, foram dez anos sem atualização nos repasses. Com o retorno do governo Lula, aumentamos em mais de 30%. Vamos acompanhar a situação de Minas, mas não aceitaremos mentiras”, afirmou.

A reportagem solicitou um posicionamento do Ministério da Saúde e aguarda resposta.

Posição do governo estadual
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) defende que tem cumprido sua parte no custeio do Samu e, em alguns casos, tem arcado com mais de 50% das despesas. A pasta reforçou o compromisso com a continuidade dos atendimentos de urgência e emergência no estado.