Mulheres seguem fora da presidência das Câmaras nas maiores cidades de MG

Mulheres seguem fora da presidência das Câmaras nas maiores cidades de MG

Reflexo de um cenário nacional

A baixa representatividade feminina no comando dos Legislativos municipais não é uma exclusividade mineira. Em 2024, nenhuma capital brasileira tinha uma mulher na presidência das Câmaras Municipais. Já no biênio 2025-2026, apenas Porto Alegre (RS) e Cuiabá (MT) elegeram vereadoras para o cargo – sendo que, na capital mato-grossense, todas as cadeiras da Mesa Diretora ficaram com mulheres, um fato inédito na cidade.

Para a doutora em direito público Maria Fernanda Pires, essa disparidade de gênero na política não apenas limita a participação feminina, mas também desencoraja novas candidaturas. “Com as mulheres ocupando apenas 18% das cadeiras no país, as chances de assumirem cargos de liderança são ainda menores. Além disso, as estruturas partidárias tendem a favorecer homens em postos estratégicos”, analisa.

A cientista política Débora Thomé compartilha essa visão e ressalta que a dificuldade de acesso a cargos de comando não ocorre por acaso. “Quanto maior o poder, menor a presença feminina. Os partidos continuam restringindo o espaço das mulheres na tomada de decisões, o que impede sua ascensão dentro da política”, explica.

Desafios para ocupar o topo

Primeira mulher a presidir a Câmara Municipal de Belo Horizonte, entre 2009 e 2011, Luzia Ferreira reforça que as dificuldades começam antes mesmo da eleição. Segundo ela, as mulheres enfrentam barreiras para conciliar a carreira política com as responsabilidades familiares e ainda têm menos espaço dentro dos partidos.