Atenção, pais! Ansiedade atormenta cada vez mais adolescentes, e um dos motivos é a rede social

Atenção, pais! Ansiedade atormenta cada vez mais adolescentes, e um dos motivos é a rede social

O que é a ansiedade? Como identificá-la e de que forma ela age?

A ansiedade em si não é um problema. É um sintoma normal e um sinal que o cérebro nos dá de que podemos estar correndo perigo. É uma forma de nos alertar sobre algo. Por exemplo: quando um aluno tem uma prova, ele fica ansioso e o cérebro passa a liberar adrenalina. Isso gera um desconforto, fazendo com que o aluno se dedique ainda mais aos estudos. Já na hora da prova, a ansiedade tem a função de deixar em estado de alerta, mais esperto para fazer o teste com mais atenção. O problema é quando surge a ansiedade excessiva, quando a pessoa a manifesta de forma contínua, por pelo menos umas duas semanas. Esse é o tipo de ansiedade que inibe a realização de diversas atividades ou funções, como sair de casa ou trabalhar, além de causar problemas físicos ou mentais.

Não necessariamente quem trabalha muito vai ter Burnout. A síndrome, na verdade, está relacionada a quem está sobrecarregado no trabalho, mas tem um emprego pouco gratificante ou um ambiente onde não se sente representado

Existe mais de um tipo de ansiedade? Todas têm a mesma origem e efeitos?

Existem vários transtornos causados por ansiedade excessiva. O mais conhecido é o transtorno de ansiedade generalizado, que é aquele em que a pessoa está sempre muito preocupada com desempenho, o futuro, com tudo mesmo. Exemplo disso é aquela mãe que fica o tempo todo preocupada com os filhos, se vai acontecer alguma coisa com eles, fica preocupada com a viagem de um, com o casamento do outro. Situações que não cabem totalmente a ela, mas acabam interferindo na ansiedade. Outro exemplo são as “crises de pânico”, que são crises de ansiedade agudas, intensas, em que a pessoa fica com o coração acelerado, sente falta de ar, fica tremendo e até com a pupila dilatada. Durante as crises, a pessoa fica achando que vai morrer, o que gera ainda mais ansiedade, virando uma bola de neve. Há também a “fobia social”, quando tem-se dificuldade para falar em público. E o transtorno de “estresse pós-traumático”, aquele em que a vítima de um assalto, por exemplo, fica com medo de sair de casa, causando ansiedade e medo.

Vivemos em uma sociedade muito acelerada e com as pessoas cada vez mais distantes entre si. Como nos adequar a essa rotina e não cair em um quadro de ansiedade?

Existem várias formas de para se viver com menos estresse e mais qualidade. Ouvir música, praticar atividade física, ioga... Outra coisa importante é não abusar de álcool ou drogas. Muitas vezes a pessoa tem um transtorno psiquiátrico, como ansiedade, começa a beber em excesso na tentativa de se “automedicar”, pois a bebida no primeiro momento pode ser um calmante, e isso acaba piorando a situação.

Existe um perfil da pessoa que recebe o diagnóstico de ansiedade?

Cada pessoa tem uma vulnerabilidade individual, que tem a ver até com a genética, fator psicológico ou com a criação. Então, as pessoas têm mais ou menos predisposição para um transtorno de ansiedade, que vai depender das condições de estresse que ela está vivenciando. Atualmente, não há muito como taxar o perfil de uma pessoa com a ansiedade. Pode acontecer com qualquer um.

Como os pais podem identificar os sintomas de ansiedade em crianças ou adolescentes?

Na criança é até menos comum. Já no adolescente, é recomendado que os pais tenham sempre um canal de diálogo aberto e franco com os filhos, estejam sempre conversando, com eles sempre relatando o que está acontecendo. Se observarem que o comportamento do adolescente está mudando, que está indo mal na escola, ficando muito tempo fechado no quarto ou comendo menos... É importante estar atento a esses sinais porque muitas das vezes o adolescente não expressa os sintomas de forma tão clara, ele apenas manifesta essas mudanças de comportamento. Na dúvida, é importante levar o filho para a avaliação de um especialista, como um psiquiatra ou psicólogo habilitado.

Ansiedade tem a ver com genética, sim. Mas também tem a ver com a psicologia, com a forma como a pessoa lida com determinadas situações, a forma como encara a vida, a criação que teve. É multifatorial

Quando é recomendado que o tratamento seja feito com medicamentos ou terapia?

Os casos mais leves a moderados, em geral, podem ser tratados com terapia, desde que ela seja mais focada no transtorno específico. Nos moderados a grave, principalmente quando há risco de suicídio, é recomendada medicação, como antidepressivos. Existe também a possibilidade de tratamento com ambos: terapia e medicamentos. A decisão de utilizar apenas terapia, apenas remédio ou mesclar os dois depende dos problemas que o paciente apresenta, da disponibilidade para o tratamento e da preferência da pessoa.