Após "revogaço", Ibovespa derrete 3% no 1º dia de governo Lula; dólar e juros disparam

Após "revogaço", Ibovespa derrete 3% no 1º dia de governo Lula; dólar e juros disparam

“Com praticamente todos os principais mercados fechados, só resta ao investidor local ser responsável pela movimentação do dia. E na ausência de indicadores macroeconômicos relevantes, as questões políticas acabaram prevalecendo nas decisões da sessão de hoje”, explicou Matheus Pizzani, economista da CM Capital.

Após o “revogaço” anunciado no domingo da posse, o primeiro dia útil do governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi marcado pela formalização dos novos ministros em seus cargos.

Fernando Haddad assumiu o Ministério da Fazenda com um discurso amigável para o mercado, se comprometendo com a responsabilidade fiscal. Porém, já começou sofrendo uma derrota política, segundo os analistas. Por medida provisória, Lula renovou a desoneração dos combustíveis, que terminaria no último sábado (31), em sessenta dias para a gasolina e até o final do ano para o diesel e o GLP.

“O PT precisa ter mais tranquilidade para governar e inflação é tudo o que as pessoas não gostam. Então a decisão foi política e uma derrota para o Haddad. Isso levanta o questionamento se o time econômico vai ser sempre derrotado no governo Lula”, disse Júnia Gama, analista de política da XP, em sua participação no Radar InfoMoney.

“Em termos de novidades, não podemos acusar Lula de estar surpreendendo. Afinal ele está fazendo exatamente o que falou que iria fazer durante a campanha eleitoral”, diz análise assinada por Andre Leite, da Kairós Capital.

“Em termos de políticas, o que vai se desenhando é tudo aquilo que vimos presentes nos governos Lula 2 e Dilma, uma visão intervencionista na economia e sem cuidados com as contas fiscais”, complementou.

O Ibovespa terminou o dia em baixa de 3,06%, aos 106.376 pontos. O giro financeiro da sessão foi de R$ 15,4 bilhões.

A queda ganhou magnitude com a forte baixa dos papéis da Petrobras (PETR3;PETR4), com o discurso mais intervencionista do novo governo, criticando a atual política de preços da petrolífera e afastando qualquer possibilidade de privatização da empresa.